Tribuna
Nome: Maria de Lourdes Fiorido - Presidente da APAE de Venda Nova do Imigrante
Título: SEMANA NACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E/OU MÚLTIPLA

“Excelentíssimo senhor José Luiz Pimenta, Presidente da Câmara, Vereadores, boa noite a todos. Em nome do movimento apaiano, gostaria de agradecer a abertura desse espaço para um dos maiores e mais organizados movimentos do Brasil. Em nome da APAE de Venda Nova do Imigrante, falamos em nome de duas mil outras entidades do Brasil que nessa semana congregam esforços para falar de um público que representa vinte e três vírgula nove por cento da população brasileira, que são portadores de alguma deficiência. Gostaria de ressaltar a importância dessa semana para a reflexão de tomadas de decisões rumo a sociedade, que tem como parâmetro, o crescimento humano, a felicidade dos indivíduos, a qualidade de vida, o processo de cidadania, o respeito, como seu bem maior. Assim, gostaria de fazer um breve histórico sobre a pessoa com deficiência. A vida de uma pessoa com deficiência tem lutas e enfrentamentos. No século dezenove esse grupo de cidadãos vivam em residências e sob cuidados médicos. O século vinte chegou, foi marcado pela desinstitucionalização dessa natureza e com a institucionalização da educação especial. Nos anos de mil e novecentos e setenta, sob a lógica de que o deficiente pode aprender, se iniciou o processo de efetivação da pessoa com deficiência no mundo educacional. A educação especial foi direcionada por outros princípios filosóficos, políticos e científicos, que influenciaram o pensamento de que deficiente pode integrar a sociedade. Foi a busca de espaços educacionais menos restritivos, o que influenciou os textos normativos para chegar na atualidade. Mudanças nas últimas décadas trouxeram outros conhecimentos, com um olhar às necessidades básicas de apoio a pessoa com deficiência, defendendo a participação e a presença num contexto social. Assim, uma sociedade inserida na segunda modernidade, a deficiência não pode ser mais vista como algo inerente às pessoas. Deficiência é um conceito que engloba contexto socioeconômico, conceito político, e influências culturais presentes na construção desse sujeito. Dessa forma, saindo do sentimento de dó e piedade, a pessoa com deficiência passa a ser conhecida como pessoa, fruto da Constituição Federal, que incorporou vários dispositivos sobre seus direitos. A Constituição Federal engloba diretos essenciais na tentativa de garantir qualidade de vida, destacando a habilitação, reabilitação, proibição de qualquer forma de descriminalização com relação a salários, acesso aos serviços públicos, entre outros. A pessoa com deficiência é repensada, e ela coexiste com buscas de ações inovadoras que proporcionam a participação plena na vida comunitária e o respeito. Pensar na pessoa com deficiência, é olhar as habilidades e potencialidades e agir na promoção para superação das dificuldades. É dar menos ênfase aos aspectos orgânicos da pessoa e mais ênfase nas suas relações sociais. Uma das principais conquistas que estamos tendo é a ruptura de uma concepção equivocada que submetem a pessoa com deficiência a atitudes de caridade e do favor. Ainda o combate às práticas elitistas, preconceituosas, discriminadoras, da sociedade, que torna a pessoa com deficiência, fragilizada e tutelada pelo outro. A pessoa com deficiência era tida como um fardo para a sociedade, morto para a família, em um panorama nacional. Mas isso está mudando. A primeira e segunda décadas do terceiro milênio forma marcadas por eventos mundiais, liderados por pessoas com deficiência, destacando como dois focos o empoderamento dessas pessoas e a responsabilidade de contribuir com seus talentos, para mudar rumo a inclusão das pessoas, de todas as pessoas, com ou sem deficiência. A pessoa com deficiência vem conquistando assentos em eventos e locais decisórios, em funções técnicas e de destaque. Estão chegando nas universidades, aos centros de tecnologia, constituindo família, tudo isso a muito custo e em função de muitas lutas. Na questão de direitos, tudo acontece, mas acontece de forma lenta. Não há ainda uma ruptura total com a história preconceituosa que dificulta a convivência e a aceitação. Aqueles que apresentam algum tipo de deficiência, ainda sofrem com a condição de interditados e impossibilitados. Atualmente, a pessoa com deficiência olha os frutos da sua própria luta, e é envolvida nos diversos entendimentos sociais como sujeitos de deveres e direitos, e buscam a construção de uma sociedade que seja justa para todas as pessoas. É nesse contexto que a APAE de Venda Nova do Imigrante está inserida. É uma instituição que nasceu juntamente com o Município, em oitenta e oito. Assim, nascemos, crescemos e nos tornamos adultos, uma instituição madura, uma instituição transparente, que faz a diferença para a sociedade, e que contribui de forma ampla para o crescimento de Venda Nova do Imigrante. Primeiramente, gerando empregos, mas temos um bem maior, que é a inclusão e o respeito das pessoas que trabalhamos. Somos uma entidade privada e não pública, como muita gente acha. Não temos fins lucrativos e o nosso maior patrimônio são os nossos usuários. Atendemos hoje noventa e três pessoas com deficiência intelectual, quarenta que frequentam os programas assistenciais, e cinquenta e três pacientes em reabilitação na área da saúde. Contamos com uma parceria incondicional da comunidade, dos trabalhos voluntários e dos órgãos públicos, por meios de termos de colaboração e de fomento. Avançamos em alguns aspectos, como a escolarização dos alunos com deficiência, o acesso a saúde, na participação na comunidade, mas temos um caminho muito longo a trilhar na construção das políticas públicas, no que se refere a acessibilidade, inserção no mercado de trabalho, financiamento de projetos, políticas de atendimento as pessoas com deficiência intelectual e doença mental, e na prevenção de fatores que geram a deficiência, tais como as drogas e o alcoolismo. Finalizando, gostaria de deixar uma reflexão. Nós estamos no terceiro milênio, onde discutimos a igualdade de direitos. A pergunta é: nossa cidade é acessível a todos em todos os aspectos? Nossas políticas públicas são acessíveis a todos? Quais os cuidados que estamos tendo para que todos sejam realmente acolhidos e se sintam parte da sociedade vendanovense. Essa é a pergunta que deixamos na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, onde a gente discute o tema ‘Pessoas com deficiência, direitos, necessidades e realizações. Aí eu gostaria de dizer que quando trabalhamos para inclusão da pessoa com deficiência, não estamos trabalhando só para a pessoa com deficiência, mas estamos trabalhando para todas as pessoas, dos pobres, os marginalizados, oprimidos, os que sofrem violência, os drogados, porque trabalhamos para uma sociedade melhor. Agradeço a parceria e o empenho de vocês, agradecer a sociedade vendanovense, que muito contribui com a causa. A gente tem uma programação que ainda está acontecendo e convido a todos para participarem. E vocês, vereadores, que possam nos visitar. Temos uma história no Município muito boa, e queremos crescer junto com o Município, com igualdade, com ética, transparência e contribuindo para que a nossa sociedade seja mais justa e igualitária. Obrigada.”


Considerações Finais:
“Agradeço o espaço que o senhor me cede para falar a respeito disso. Então, dentro desse espaço que temos para falar, colocamos que temos despesas na instituição e que a gente conta com o Poder Público, com os nossos colaboradores para a gente ter uma captação de recursos para garantir a qualidade dos nossos serviços. Uma forma de captação que temos é a questão da adesão dos sócios contribuintes. Essa adesão é uma autorização que a pessoa permite, ela se adere à instituição e depois ela tem direito a voto também, e ela contribui com um valor que ela determina, através de débito em conta. A pessoa interessada procura a instituição, a gente faz um termo de adesão e ela autoriza o valor que quiser em débito em conta. Esse dinheiro entra na nossa conta. É uma forma de contribuição. Gostaria de dizer que no dia vinte e quatro de setembro estaremos fazendo o nosso leilão de garrotes. Quem quiser contribuir, um garrote, ou fazer uma vaquinha e passar o dinheiro, é uma forma de captação de recursos que a gente utiliza para garantir a sustentabilidade da instituição durante o ano. Quem quiser contribuir, será muito bem-vindo. Obrigada.”.
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